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BastidoresParte 5 de 9

Como a gente contrata, visto de dentro

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Bastidores

Você provavelmente já mandou currículo pra vaga que sumiu num buraco negro. Nenhum retorno, nenhum sinal de vida, e três semanas depois um e-mail automático dizendo que "seguiram com outro perfil". A gente odeia isso tanto quanto você. Então vale explicar, sem verniz, como um processo de contratação acontece aqui por dentro: o que a gente olha, o que a gente ignora, e onde as coisas dão errado.

O currículo é o começo mais fraco da conversa

Currículo diz onde você passou. Não diz o que você faz quando ninguém está olhando. A gente lê, sim, mas gasta pouco tempo procurando o nome bonito da empresa e muito tempo procurando sinais de que você resolveu problema de verdade. Um projeto pessoal que você tocou até o fim vale mais que dois anos de "participei de iniciativas estratégicas".

O que faz a gente parar e reler:

  • Você descreve um problema concreto e o que mudou depois que você entrou.
  • Você mostra que largou algo que não funcionava, não só que entregou.
  • Você escreve como gente, não como release corporativo.

O que a gente ignora, de propósito: faculdade de nome forte, tempo de casa nas empresas anteriores, e a lista de "tecnologias" que ninguém realmente sabe se você domina. Numa empresa que trabalha com IA todos os dias, a meia-vida de uma ferramenta específica é curta. O que dura é como você pensa.

A gente testa trabalho, não entrevista performance

Entrevista é um teatro que muita gente aprendeu a atuar. A pessoa decora as histórias, ensaia o "meu maior defeito é ser perfeccionista", e sai bem. Isso não nos diz quase nada. Então a maior parte do peso está num desafio que parece com o trabalho real: um problema aberto, dados de verdade (anonimizados), e liberdade pra usar as ferramentas que você usaria no dia a dia, IA inclusa.

A gente não quer ver você sofrer sem Google. A gente quer ver como você pensa com as ferramentas que existem. As perguntas que importam depois do desafio:

  • Por onde você começou e por quê?
  • O que você cortou pra caber no tempo?
  • Onde você chutou e onde você tinha certeza?

Quem tenta esconder que usou IA pra resolver perde ponto. Quem mostra como dirigiu a IA, checou a resposta e pegou o erro dela ganha muito.

A parte que a gente faz pior

Vou ser honesto sobre onde travamos. Velocidade de resposta é nosso ponto fraco. Somos um time enxuto, quem entrevista também está entregando produto, e às vezes um bom candidato espera mais do que deveria entre uma etapa e outra. A gente sabe. Está na lista de coisas a consertar, e a gente tenta avisar prazos reais em vez de sumir.

Outra coisa difícil: dizer não pra gente boa. A maior parte das pessoas que a gente recusa não é ruim. É que o encaixe naquele momento não era o certo, ou tinha alguém um passo à frente pra aquela vaga específica. Quando dá, a gente explica o porquê de verdade. Nem sempre dá, e isso incomoda.

O que o "sim" realmente significa

Quando a gente decide contratar, a pergunta interna não é "essa pessoa é impressionante?". É "eu quero resolver problema difícil ao lado dessa pessoa por muito tempo?". São coisas diferentes. Tem gente brilhante que a gente não contrataria porque trabalhar junto seria um custo constante. E tem gente que não é a mais rápida da sala mas que deixa todo mundo em volta melhor.

O que pesa na decisão final:

  • Clareza de pensamento — você consegue explicar uma ideia complicada de forma simples.
  • Autonomia com honestos "não sei" — você corre sozinho mas pede ajuda antes de cavar um buraco.
  • Baixo ego, alta exigência — você defende suas ideias com força e as abandona na hora que os dados mostram que estava errado.

Quem se dá bem aqui

Se você precisa de um processo longo, previsível e cheio de degraus formais pra se sentir seguro, o nosso jeito vai te deixar ansioso. A gente decide rápido, testa trabalho de verdade e conversa direto. Mas se você já ficou frustrado de ser avaliado por quão bem atua numa entrevista em vez de quão bem resolve problema, esse processo foi feito pra você brilhar. Traz o que você realmente sabe fazer. É isso que a gente está tentando ver.

Curtiu como a gente pensa?

É assim que trabalhamos todo dia.

Se esse jeito de pensar é o seu, vem construir com a gente — dá uma olhada nas vagas abertas.

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