Produto no ClubPetro: de uma dor real a algo no ar
Produto é um dos papéis mais mal compreendidos que existem. Muita gente acha que é sobre desenhar telas bonitas ou preencher um roadmap. Na prática, no ClubPetro, produto é sobre uma coisa só: pegar uma dor real de gente real — o dono de uma rede de postos, o motorista que abastece, o frentista na pista — e transformar isso em algo que está no ar e que melhora a vida de alguém. Tudo o mais é meio para esse fim.
Como é um dia
Não existe dia de produto que seja só reunião ou só tela. O trabalho é vaivém constante entre entender e decidir.
Um dia típico mistura:
- Sentar com a dor: conversar com CSM, ouvir gravação de suporte, olhar como uma rede realmente usa a plataforma. Você não pode priorizar o que não entende, e não dá para entender a dor de longe.
- Priorizar sem dó: sempre tem mais coisa boa para fazer do que tempo. A parte mais difícil não é ter ideias — é dizer não para ideias boas em nome de uma melhor. "Tudo é prioridade" significa que nada é.
- Alinhar com engenharia: transformar um problema em algo construível, discutir trade-offs, decidir o menor pedaço que já entrega valor.
- Medir o que subiu: a feature entrou no ar — e aí? As pessoas usam? Resolveu a dor ou criou outra? Produto que não mede está no escuro.
O que a IA muda aqui
Produto sempre gastou tempo demais em tarefa e de menos em julgamento. Sintetizar feedback, resumir pesquisa, cruzar dados de uso, escrever a primeira versão de uma especificação. A IA absorve boa parte disso.
No ClubPetro, a IA ajuda produto a:
- Enxergar padrões: juntar dezenas de conversas e tickets num quadro claro do que realmente incomoda os clientes.
- Acelerar o rascunho: primeira versão de um documento, de uma análise, de uma hipótese — para você editar em vez de começar do zero.
- Fechar o loop mais rápido: montar leituras de uso e resultado sem depender de um relatório manual que demora uma semana.
O que a IA não faz — e é justamente o cerne do papel — é ter gosto e julgamento. Ela não sabe qual das três soluções corretas é a certa para esse cliente. Não sente que uma tela está tecnicamente boa e mesmo assim errada. Não decide o que vale a pena construir. A IA te dá alavancagem para gastar mais energia na decisão difícil, que continua 100% humana.
O que esse papel NÃO é
Produto atrai muito teatro. Aqui a gente foge dele:
- Não é teatro de roadmap. Um roadmap bonito cheio de caixinhas coloridas não move nada. O que importa é o que chegou no ar e o que mudou por causa disso.
- Não é fábrica de features. Entregar muita coisa não é o objetivo. Entregar a coisa certa é. Feature que ninguém usa é custo, não conquista — e ainda deixa o produto mais confuso.
- Não é adivinhar da mesa. Produto que decide sozinho, sem falar com quem sente a dor, erra caro. Sua opinião não substitui a realidade do cliente.
A parte difícil é conviver com a incerteza e com a responsabilidade de escolher. Você vai errar priorização às vezes. Vai construir algo que parecia óbvio e ninguém usou. Faz parte — o segredo é errar barato, aprender rápido e ter a honestidade de matar o que não funcionou.
Como é o sucesso
Sucesso em produto é discreto, mas inconfundível:
- Uma dor que todo mundo reclamava simplesmente sumiu, e as pessoas nem percebem porque virou natural.
- Uma feature que você defendeu contra o óbvio se provou certa nos números.
- Um "não" que você teve coragem de dar poupou meses de trabalho no caminho errado.
- Uma rede que passou a usar a plataforma mais fundo porque algo ficou mais simples.
O melhor sinal: o produto fica mais claro e mais útil com o tempo, não mais inchado. Cortar bem é tão sucesso quanto construir.
Quem se dá bem nesse papel
Produto no ClubPetro combina com você se:
- Tem gosto e julgamento e não foge da responsabilidade de escolher.
- Prefere entender a dor de perto a opinar da mesa.
- Consegue dizer não para ideias boas em nome da melhor.
- Usa IA para pensar mais e digitar menos, sem terceirizar a decisão.
- Mede com honestidade e não tem apego ao que construiu — mata o que não funcionou.
Se você quer estar no ponto onde a dor real vira solução no ar, com espaço para exercer taste de verdade e ver o resultado num negócio concreto — produto é onde a curiosidade encontra a consequência.