O que a gente procura de verdade (e o que não importa)
Se você abrir dez vagas de tecnologia por aí, vai ler as mesmas dez palavras: proativo, dinâmico, apaixonado por desafios. Ninguém sabe o que isso quer dizer, inclusive quem escreveu. Então vamos ser diretos sobre o que realmente pesa quando a gente decide contratar alguém no ClubPetro — e sobre o que a gente aprendeu a ignorar.
As coisas que a gente procura
O fio condutor é um só: você faz as coisas acontecerem sem alguém empurrando. O resto é detalhe disso.
- Agência. Você vê um problema e vai atrás. Não espera a tarefa chegar redondinha, não trava porque "ninguém me falou". Quando algo está quebrado e é do seu alcance consertar, você conserta ou levanta a mão. Isso é raro e é o que mais valorizamos.
- Curiosidade real. Você quer entender por que as coisas são do jeito que são. Abre o código dos outros, lê a documentação até o fim, pergunta "por quê" mais de uma vez. Curiosidade não é hobby aqui — é como você aprende um domínio novo (postos de combustível, fidelidade, cobrança) sem que ninguém precise te dar aula.
- Saber dirigir a IA. A gente é uma empresa AI-native. Não porque é bonito no LinkedIn, mas porque muda o que uma pessoa consegue entregar. Quem se destaca não é quem "usa ChatGPT" — é quem sabe delegar, revisar, desconfiar e corrigir a IA. Você trata o modelo como um estagiário brilhante e distraído: aproveita a velocidade e checa o resultado.
- Ownership. Você trata o problema como seu do começo ao fim. Não entrega pela metade e some. Se você mandou pra produção, você acompanha se funcionou. Se deu ruim, você está lá pra arrumar, sem procurar culpado.
- Gosto por problema real. Tem gente que ama tecnologia pela tecnologia. A gente prefere quem se acende quando um cliente para de reclamar porque algo que você fez resolveu a vida dele. O código é meio, não fim.
O que a gente NÃO fica olhando
Aqui é onde costuma ter surpresa — inclusive gente boa que se autoelimina achando que não "se encaixa".
- Diploma específico. Não importa se você é formado em Ciência da Computação, em Letras ou se largou a faculdade. Importa o que você consegue construir e como pensa. Já contratamos gente de trajetória torta que entrega mais que muito currículo impecável.
- Anos de experiência. "5+ anos de X" é uma preguiça de quem escreve vaga. Tem gente com dois anos que pensa melhor que gente com dez repetindo o mesmo ano cinco vezes. A gente olha a curva, não o carimbo de tempo.
- Saber "a" linguagem certa. Sim, usamos TypeScript, React, Postgres. Não, você não precisa ser especialista neles hoje. Se você aprende rápido e já dominou alguma stack a fundo, você pega a nossa. Ferramenta se ensina; cabeça, não.
Como isso aparece no dia a dia
Traço bonito no papel não vale nada se não aparece no trabalho. Na prática, agência é você abrir uma discussão porque percebeu que a métrica de health score estava enganando o time de CS — não porque te pediram, mas porque te incomodou. Ownership é você voltar no domingo pra ver se o job que você subiu na sexta rodou. Dirigir a IA é você gerar um primeiro rascunho em minutos e gastar a hora seguinte julgando o que presta e o que é besteira convincente.
Ninguém tem tudo isso no dia um. A gente também não espera. O que a gente procura é a inclinação — a pessoa que já se comporta assim onde está hoje, mesmo que em escala pequena.
Quem prospera aqui
Se você precisa de um roteiro detalhado pra se mexer, de um chefe pra validar cada passo, e sente que IA é uma ameaça em vez de alavanca, este provavelmente não é o lugar mais confortável pra você — e tudo bem, cada empresa tem seu ritmo.
Mas se você é do tipo que já resolveu um problema que ninguém te pediu, que aprende uma ferramenta nova no fim de semana por vontade própria, e que sente um incômodo genuíno quando algo está mal feito — a gente quer muito conversar. É exatamente essa postura que a IA amplifica em vez de substituir, e é ela que a gente contrata.